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Aprendizagem Profunda: O que vale a pena compreender de verdade na educação?

O que vem à sua mente quando falamos em deep learning? Se você está minimamente conectado às tecnologias e à inovação, provavelmente vai pensar em machine learning: redes neurais artificiais com múltiplas camadas, treinadas para identificar padrões complexos em textos, imagens e dados. Um modelo inspirado no funcionamento do cérebro humano e que hoje sustenta grande parte do que chamamos de inteligência artificial.


Imagem comparativa entre as redes neurais da Inteligência Artificial e a biologia da aprendizagem humana

A base da IA como conhecemos (inclusive essa explicação acima veio de uma pesquisa rápida mediada por IA). Agora, veja só: se a tecnologia tem avançado justamente por se beneficiar de como o cérebro humano aprende, será que nós, como escola, temos feito o mesmo?






Do modelo linear ao labirinto de possibilidades

Parafraseando John Spencer, no passado, o segredo do sucesso era relativamente simples: estudar bastante, se formar na universidade e subir a chamada "escada corporativa", muitas vezes dentro de uma mesma empresa, começando de baixo e sendo promovido ao longo do tempo. O problema é que essa escada desapareceu. No lugar dela, temos hoje um labirinto: complexo, imprevisível, desafiador e, ao mesmo tempo, cheio de possibilidades a serem descobertas pelos jovens.


E é aqui que a conversa começa a ficar interessante. Na verdade, queríamos chegar a um conceito mais humano e mais profundo: o de deeper learning, aprendizagem profunda, na educação.


  • Se o caminho linear não existe mais, faz sentido que a escola continue organizando seus aprendizados como se existisse?

  • Quais conteúdos, práticas e experiências ainda ajudam os alunos a se orientar nesse labirinto?

  • Quais já se tornaram, ou correm o risco de se tornar obsoletos?


Lutando contra a superficialidade com a Aprendizagem Profunda

A aprendizagem profunda não traz uma resposta pronta nem uma virada mágica para os desafios da educação. E talvez esse seja justamente o ponto. Em um mundo complexo, soluções superficiais tendem a gerar aprendizados igualmente superficiais. O que a aprendizagem profunda propõe é algo bem menos confortável: lutar intencionalmente contra a superficialidade.


A aprendizagem profunda se debruça exatamente sobre os porquês e para-quês do aprender. Como diria Ailton Krenak, "a vida não é útil!", e essa frase provoca um curto-circuito interessante quando pensamos em educação. Nem todo aprendizado terá uma utilidade imediata, prática ou visível. E tudo bem.


O problema não é aprender algo que não parece útil. O problema é aprender sem sentido. O verdadeiro "para quê" da aprendizagem profunda é formar pessoas capazes de navegar em um mundo que não oferece mapas prontos, conectando ideias, lidando com incertezas e construindo caminhos próprios.


O desafio do "COMO": Mudança de mentalidade

Aprendizagem profunda começa com uma mudança de mentalidade: precisamos sair da engrenagem de atividades mais elaboradas e voltar a pensar o ensino a partir da compreensão. Duas referências conversam muito bem entre si:


  1. Teaching for Understanding: Parte da ideia de que compreender é ser capaz de usar o que se sabe em novas situações.


  2. Understanding by Design: Provoca a escola a inverter a lógica tradicional do planejamento. Em vez de começar pela atividade, começamos pelo fim: o que vale a pena compreender de verdade? 

 
 
 

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